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Na “agricultura nacional” coexistem atualmente três estados distintos: 1.Qual é o verdadeiro estado da agricultura nacional? Esta pergunta não tem uma resposta fácil, pois em termos empresariais não se pode falar de “agricultura nacional”. A agricultura nacional resulta daquilo que é a atividade direta de cerca de 300.000 agricultores (dados do último recenseamento agrícola, de 2009). Para além disso, resulta cada vez mais da performance alcançada ao nível das fileiras agroalimentares, isto é, quando se consideram, para além dos 300.000 “agricultores”, os diversos agentes económicos a montante e a jusante da produção primária. Procurando uma resposta direta à questão formulada, eu diria que na “agricultura nacional” coexistem atualmente três estados distintos: - Um conjunto de “agricultores” claramente competitivos que, nos últimos 10 anos, deram passos importantíssimos quer em termos tecnológicos, quer em termos de acesso aos mercados (em parcerias com a indústria e com a distribuição), quer em termos de organizacionais e de gestão (estruturando-se e profissionalizando-se a estes níveis);
- Um conjunto de “agricultores” potencialmente competitivos que, tendo condições naturais para o fazer, não conseguiram ainda dar os passos necessários para assegurarem essa competitividade;
- Um conjunto muito alargado de agricultores para os quais, tendo em conta as suas condições naturais de produção, não se vislumbram modelos de negócio que assegurem níveis mínimos de competitividade através do mercado.
Os dois primeiros grupos, embora com algumas exceções, são constituídos essencialmente por “agricultores do regadio”, isto é, agricultores cujas explorações têm acesso (no todo ou em parte) a água para rega. Aquilo que os diferencia, mais uma vez com algumas exceções, é o “fator humano” ou, se quisermos, a sua capacidade empreendedora e de organização interna (gestão). Aqueles que ainda não conseguiram “dar o salto” nas diversas dimensões referidas têm beneficiado de algum efeito de arrastamento por parte dos primeiros. Mas o tempo está a contar e, se tal salto não for consumado, o futuro não se lhes apresentará risonho. É nestes dois grupos (agricultores competitivos e potencialmente competitivos) que se tem alicerçado a visão mais “sexy” da agricultura, que tem sido transmitida à sociedade civil nos últimos anos. É nestes grupos que se inserem as unidades que brilham na produção de azeite, de vinho, de frutos vermelhos, de frutos secos. É nestes grupos que encontramos as estruturas que dão cartas na produção e exportação de produtos hortícolas, de produtos hortoindustriais e de frutos frescos diversos. Mas atenção: potencialmente, nestes dois grupos, cabem pouco mais de 500 mil hectares, num total de 3,6 milhões de hectares de Superfície Agrícola do nosso país. As restantes “explorações agrícolas” encontram cada vez mais a sua justificação na prestação de um conjunto de “serviços” à sociedade (a produção dos famosos bens públicos) que o mercado não remunera: conservação de recursos naturais, ordenamento do território, manutenção da paisagem, etc. Estes agricultores estão (e estarão cada vez mais) fora do mercado concorrencial, e deverão ser remunerados através de recursos financeiros públicos (nacionais e comunitários) em nome da sociedade que valoriza a sua função.
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